terça-feira, agosto 31, 2010

(...)nós, imoralistas, suspeitamos hoje que é precisamente o que há de não-intencional num ato que lhe empresta um valor decisivo e que tudo que vem à "consciência", faz parte ainda de sua superfície, de sua "pele" que, como toda pele oculta muito mais coisas do que revela.

Friedrich Nietzsche

quarta-feira, agosto 25, 2010

desenhos de caderno

Para uma memória ruim.. estudo em terças. DO LA FA RE SI SOL MI - SI SOL MI DO LA FA RE - DO MI SOL SI RE FA LA - RE FA LA DO MI SOL SI


Imagine o fundo amarelo, é assim que está agora. Pra Nile e pro Bernes.


Uma boa aula de história da arte, ou seria de metodologia científica? Não sei.

As imagens estão bem ruins, mas resolvi postar assim mesmo..

sexta-feira, agosto 20, 2010

ipsissimosität

Presente

Foi em um de seus aniversários. Veio em uma caixa cheia de furos com um grande laço azul em cima.
Abriu com pressa, mas também muito cuidado. Dentro, dois olhos de cores diferentes brilhavam. A cabeça parecia ser maior que todo o resto do corpo peludo.
Fez-lhe uma cama, apesar de toda noite acabar cedendo um pedaço do seu colchão.
Não queria mais os brinquedos. Sua diversão era criar coisas para brincar com o animalzinho. Ela adorava seu gato, seu único objeto de afeição.
Mas o tempo não é brisa suave. O tempo carrega tudo com ele, a infância e os olhos brilhantes.
Ela percebera há muito não dava devida atenção ao felino que ficava sempre mais velho e doente. O veterinário já recomendara o sacrifício.
Cada dia que passava era mais insuportável pensar no seu sofrimento. Não podia mais conviver com aquilo que lhe causava tal horror. Precisava fazer algo. Algo que ninguém mais podia fazer, algo que ninguém mais tinha o direito de fazer se não ela.
Tomada a decisão, dirigiu-se a cozinha e pegou a faca mais afiada. O gato consentiu com a quietude da alma. Deu-lhe três golpes, o primeiro atingiu suas necessidades básicas, o segundo a razão e o terceiro golpe acertou-o na raiz de todo o sentimento.
O sangue começou escorrer por todo o quarto e parecia nunca acabar. Começou a subir por suas pernas. Logo, de seus braços, pescoço e cabelos escorria o liquido púrpura. O sangue do gato havia se misturado ao seu próprio. Quem sangrava era ela. A morte dele era a sua morte. O que ela tentou matar a matou, por dentro, com a mesma faca afiada, com a mesma frieza e covardia do seu ato. Embrulhado para presente, com uma fita azul em cima, sem pressa e sem cuidado algum.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Me faltam plaquetas no sangue.
Eu nunca paro de sangrar.

terça-feira, agosto 10, 2010

mentiras


- Renasci das cinzas.

sexta-feira, agosto 06, 2010

quem vê macro não vê coração..

Algum dia da minha vida(???) li no twitter(sim o twitter) alguém falando que qualquer um pode ser fotógrafo quando sabe usar o macro.. sim eu concordo.. mas afinal, quem nunca usou o macro?
Que este atire a primeira lente..
(o post mais clichê de todos os tempos da última semana)




quinta-feira, agosto 05, 2010

Pele

- A sua ou a minha?

um pouco de Nietzsche..

"Começa-se a adivinhar quem é alguém quando seu talento declina - quando deixa de mostrar o que pode. O talento pode ser um ornamento e o ornamento um esconderijo."

"Aquele que luta contra os monstros deve vigiar para não se tornar um deles. Ora, quando teu olhar se fixa por muito tempo no fundo de um abismo, o próprio abismo penetra em ti."

"A consequencia de nossas ações nos agarram pelos cabelos; para elas é indiferente que, no intervalo, nos tenhamos tornado melhores."

"Há uma ingenuidade na mentira que é indício de boa-fé."


De alguma parte da quarta parte..

quarta-feira, agosto 04, 2010

...nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda a minha vida, sempre me rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos "aaaaaaah". Como é mesmo que eles chamavam esses garotos na Alemanha de Goethe?(...)

Jack Kerouac (On the road)

terça-feira, agosto 03, 2010