sexta-feira, outubro 01, 2010

Um dia de mediação..

Uma escada que pode cair..


..uma que não..

..e um lustre torto.

quarta-feira, setembro 15, 2010

terça-feira, setembro 14, 2010

terça-feira, setembro 07, 2010


Todos nós
Podemos estar cansados já
Mas olha, eu tenho que avisar
Que dessa porta pra fora
Tem um monte de merda esperando pela gente

terça-feira, agosto 31, 2010

(...)nós, imoralistas, suspeitamos hoje que é precisamente o que há de não-intencional num ato que lhe empresta um valor decisivo e que tudo que vem à "consciência", faz parte ainda de sua superfície, de sua "pele" que, como toda pele oculta muito mais coisas do que revela.

Friedrich Nietzsche

quarta-feira, agosto 25, 2010

desenhos de caderno

Para uma memória ruim.. estudo em terças. DO LA FA RE SI SOL MI - SI SOL MI DO LA FA RE - DO MI SOL SI RE FA LA - RE FA LA DO MI SOL SI


Imagine o fundo amarelo, é assim que está agora. Pra Nile e pro Bernes.


Uma boa aula de história da arte, ou seria de metodologia científica? Não sei.

As imagens estão bem ruins, mas resolvi postar assim mesmo..

sexta-feira, agosto 20, 2010

ipsissimosität

Presente

Foi em um de seus aniversários. Veio em uma caixa cheia de furos com um grande laço azul em cima.
Abriu com pressa, mas também muito cuidado. Dentro, dois olhos de cores diferentes brilhavam. A cabeça parecia ser maior que todo o resto do corpo peludo.
Fez-lhe uma cama, apesar de toda noite acabar cedendo um pedaço do seu colchão.
Não queria mais os brinquedos. Sua diversão era criar coisas para brincar com o animalzinho. Ela adorava seu gato, seu único objeto de afeição.
Mas o tempo não é brisa suave. O tempo carrega tudo com ele, a infância e os olhos brilhantes.
Ela percebera há muito não dava devida atenção ao felino que ficava sempre mais velho e doente. O veterinário já recomendara o sacrifício.
Cada dia que passava era mais insuportável pensar no seu sofrimento. Não podia mais conviver com aquilo que lhe causava tal horror. Precisava fazer algo. Algo que ninguém mais podia fazer, algo que ninguém mais tinha o direito de fazer se não ela.
Tomada a decisão, dirigiu-se a cozinha e pegou a faca mais afiada. O gato consentiu com a quietude da alma. Deu-lhe três golpes, o primeiro atingiu suas necessidades básicas, o segundo a razão e o terceiro golpe acertou-o na raiz de todo o sentimento.
O sangue começou escorrer por todo o quarto e parecia nunca acabar. Começou a subir por suas pernas. Logo, de seus braços, pescoço e cabelos escorria o liquido púrpura. O sangue do gato havia se misturado ao seu próprio. Quem sangrava era ela. A morte dele era a sua morte. O que ela tentou matar a matou, por dentro, com a mesma faca afiada, com a mesma frieza e covardia do seu ato. Embrulhado para presente, com uma fita azul em cima, sem pressa e sem cuidado algum.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Me faltam plaquetas no sangue.
Eu nunca paro de sangrar.

terça-feira, agosto 10, 2010

mentiras


- Renasci das cinzas.

sexta-feira, agosto 06, 2010

quem vê macro não vê coração..

Algum dia da minha vida(???) li no twitter(sim o twitter) alguém falando que qualquer um pode ser fotógrafo quando sabe usar o macro.. sim eu concordo.. mas afinal, quem nunca usou o macro?
Que este atire a primeira lente..
(o post mais clichê de todos os tempos da última semana)




quinta-feira, agosto 05, 2010

Pele

- A sua ou a minha?

um pouco de Nietzsche..

"Começa-se a adivinhar quem é alguém quando seu talento declina - quando deixa de mostrar o que pode. O talento pode ser um ornamento e o ornamento um esconderijo."

"Aquele que luta contra os monstros deve vigiar para não se tornar um deles. Ora, quando teu olhar se fixa por muito tempo no fundo de um abismo, o próprio abismo penetra em ti."

"A consequencia de nossas ações nos agarram pelos cabelos; para elas é indiferente que, no intervalo, nos tenhamos tornado melhores."

"Há uma ingenuidade na mentira que é indício de boa-fé."


De alguma parte da quarta parte..

quarta-feira, agosto 04, 2010

...nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda a minha vida, sempre me rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos "aaaaaaah". Como é mesmo que eles chamavam esses garotos na Alemanha de Goethe?(...)

Jack Kerouac (On the road)

terça-feira, agosto 03, 2010

quinta-feira, julho 29, 2010

Amatus fuerat.


Factu est..

Metamorfose

- Sic anima.
E retirou-se da sala.


sexta-feira, julho 23, 2010

O esmagamento das gotas


Eu não sei, olhe, é terrível como chove. Chove o tempo todo, lá fora fechado e cinza, aqui contra a sacada com gotões coalhados e duros que fazem plaf e se esmagam como bofetadas um atrás do outro, que tédio. Agora aparece a gotinha no alto da esquadria da janela, fica tremelicando contra o céu que a esmigalha em mil brilhos apagados, vai crescendo e balouça, já vai cair e não cai, não cai ainda. Está segura com todas as unhas, não quer cair e se vê que ela se agarra com os dentes enquanto lhe cresce a barriga, já é uma gotona que pende majestosa e de repente zup, lá vai ela, plaf, desmanchada, nada, uma viscosidade no mármore.
Mas há as que se suicidam e logo se entregam, brotam na esquadria e de lá mesmo se jogam, parece-me ver a vibração do salto, suas perninhas desprendendo-se e o grito que as embriaga nesse nada do cair e aniquilar-se. Tristes gotas, redondas inocentes gotas. Adeus gotas. Adeus.

Julio Cortázar

quarta-feira, julho 21, 2010

"Guardemo-nos de definir a higiene mental como prevenção de sintomas. Os sintomas, como tais, não são nossos inimigos, mas nossos amigos; onde há sintomas há conflito, e conflito indica sempre que as forças da vida que porfiam pela harmonização e pela felicidade, ainda lutam. As vitimas de doença mental realmente perdidas encontram-se entre aqueles que parecem mais normais.
Muitos daqueles que são normais, são-no porque se encontram tão bem adaptados ao nosso modo de existência, porque suas vozes humanas foram reduzidas ao silêncio tão cedo em suas vidas, que nem lutam, ou sofrem, ou exibem sintomas como o neurótico.(...)"

Eric Fromm

Azáfama

Saio de casa.Vento me leva! Não quero destino. Quero o acaso. Dia nublado. Nuvem cinzenta. Me chama, eu vou. Pedalo sem pressa. O vento contra só me faz enfrentá-lo cada vez mais. Me tateia. Me envolve em suas linhas. Me amarra. Me segura. Mas eu não sinto. Hoje não é dia de sentir. Dores no corpo. Dores na alma. Falta de ar. Coração pulsando. Nada. Eu não sinto. Só me sinto viva. Só me sinto livre. Mais rápido. Mais rápido. Lá na frente. Espera aí. Eu conheço. Não precisamos parar. Grito! Aceno! Beijo! Guardo no bolso vermelho e retribuo da mesma forma. Entre os carros desaparece a linha dourada. Continuo. Fugindo do monstro vermelho. Já estou longe. Lista de chavões. Organizados. Desorganizados. O relógio grita por mim. Hora de voltar. Garota apressada entre os carros. Retrovisores reclamam silenciosamente. Peço desculpas. Não. Não peço. Verifico se tudo ainda está em meu bolso(grito, aceno, beijo). Tudo no lugar. Já posso ir. Pobres motoristas com pressa. Não saem do lugar. Só eu me movo pelo corredores estreitos. Chega de confusão. Tranquilidade. Rua só minha. Egoísmo. Felicidade. Mas a bicicleta, já parte de mim, reclama. Perto de casa. Jardim Botânico! Mas a luz vermelha nos segura. Admiro a vista verde. Espero. Viro a cabeça. Carros vindo. Os observo parar. Duas bicicletas na contra mão!!! Tudo bem. Eu sorrio e continuo...
De coragem em um dia, já me basta um beijo jogado no ar.

segunda-feira, julho 19, 2010


As árvores são folhas teimosas, que insistem em ficar sempre o mesmo lugar, por medo do que vão encontrar na liberdade do vento.

sábado, julho 17, 2010

Chegou a Coruja

Vai passarinho! Corre! Voa!
Entenda que a coruja chegou e quer seu reino novamente. Ela não gosta do seu sentimentalismo.
Passarinho, você está doente, precisa se recuperar. Tenha fé! A asa quebrada vai melhorar.
Mas fique atento! Cuidado com Thanatos, que te persegue porque Eros anda esquecendo de cuidar de você.
Não vá para um lugar escuro, um passarinho precisa de sol, de um lugar bonito.
Não desperdice seu canto a noite, ninguém vai te ouvir. Se encontrar uma margarida solitária de alma verde, não a escute falar, ela te iludirá e lhe dará esperanças fazendo você voltar antes do tempo.
Só volte quando se recuperar totalmente.

Durante nossa despedida, chega um pequeno guaxinim e pergunta:
- Você vai embora passarinho?
- Sim. - Afirmou o pássaro tristonho.
- Por que? Você não gosta deste lugar? Você não gosta de mim?
- Não é por isso querido amigo. Acontece que, a coruja voltou e reclama seu reino, ela não quer dividi-lo. Não por enquanto. Sem falar que estou fraco e preciso melhorar.
Parou um pouco, refletiu e continuou:
- Vê minhas asas? Elas não são as mesmas a algum tempo. Como posso cuidar de um reino inteiro, se nem posso olhá-lo de cima? Vê minhas penas? Minhas penas sempre foram tão coloridas, e agora até o céu em dia de chuva possui mais cores que eu. Como posso alegrá-los com minhas penas se elas não possuem mais cor? Minhas palavras ninguém ouve mais. Não tenho mais força para pegar os pequenos isentos que devoram nossas plantas e nos atormentam durante a noite. Preciso ir para continuar vivo!
O guaxinim com grande aperto o coração ainda pergunta, com medo do que vai ouvir:
- Mas você volta?
- Se a coruja permitir e, se eu conseguir me recuperar.
- Isso vai demorar?
- Não sei!
Sem hesitar, o animalzinho colocou sua mão o peito e dali tirou algo, que ofereceu ao amigo voador:
- Então leve consigo meu coração. Eu crescerei, ficarei forte e sábio, aprenderei tudo com a coruja. Mas eu só voltarei a sentir algo quando você me devolvê-lo. Dessa forma não sentirei saudade, nem tristeza por estar longe da sua amizade. Assim eu também me protejo.
O passarinho pegou o pequeno objeto e guardou entre as penas, perto do próprio coração.
Sem despedir-se pegou carona com a primeira nuvem apressada que viu, e foi na direção do pôr-do-sol para um lugar muito longe, onde quase é possível tocar a lua, ao abrigo de um carvalho protegido pelas lembranças.

quinta-feira, julho 15, 2010


Sua menininha morreu.
Morreu a muito tempo com todas aquelas brigas, com toda aquela idiotice.
Ela morreu aos poucos. Quando o cabo da feiticeira quase acertou sua cabeça. Quando sua tia a colocou em baixo do braço e saiu correndo para não escutar a briga. Quando a cinta apertou o pescoço dele. Quando ele roubou sua arma para tentar matar a namorada. Quando via aquela sombra chegar aos berros em casa.
E ela morreu - principalmente - quando ouviu os gritos da avó e viu a mãe chorando no chão.
Sua meninice foi embora naquele dia junto com o sangue que escorreu do seu nariz.
Ela nunca mais tomou banhos de chuva como antes. Ela nunca mais subiu em árvores como antes. Ela nunca mais rolou na grama como antes.
Enfim..
Ela morreu junto com o sangue que saiu do seu nariz.
Ela morreu afogada em remédios, álcool e chocolate, dentro de uma caixa fedendo naftalina.