quarta-feira, julho 21, 2010

Azáfama

Saio de casa.Vento me leva! Não quero destino. Quero o acaso. Dia nublado. Nuvem cinzenta. Me chama, eu vou. Pedalo sem pressa. O vento contra só me faz enfrentá-lo cada vez mais. Me tateia. Me envolve em suas linhas. Me amarra. Me segura. Mas eu não sinto. Hoje não é dia de sentir. Dores no corpo. Dores na alma. Falta de ar. Coração pulsando. Nada. Eu não sinto. Só me sinto viva. Só me sinto livre. Mais rápido. Mais rápido. Lá na frente. Espera aí. Eu conheço. Não precisamos parar. Grito! Aceno! Beijo! Guardo no bolso vermelho e retribuo da mesma forma. Entre os carros desaparece a linha dourada. Continuo. Fugindo do monstro vermelho. Já estou longe. Lista de chavões. Organizados. Desorganizados. O relógio grita por mim. Hora de voltar. Garota apressada entre os carros. Retrovisores reclamam silenciosamente. Peço desculpas. Não. Não peço. Verifico se tudo ainda está em meu bolso(grito, aceno, beijo). Tudo no lugar. Já posso ir. Pobres motoristas com pressa. Não saem do lugar. Só eu me movo pelo corredores estreitos. Chega de confusão. Tranquilidade. Rua só minha. Egoísmo. Felicidade. Mas a bicicleta, já parte de mim, reclama. Perto de casa. Jardim Botânico! Mas a luz vermelha nos segura. Admiro a vista verde. Espero. Viro a cabeça. Carros vindo. Os observo parar. Duas bicicletas na contra mão!!! Tudo bem. Eu sorrio e continuo...
De coragem em um dia, já me basta um beijo jogado no ar.

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